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Se há alguma coisa em que o país evoluiu é no conhecimento, pelo público – ou pelo menos pelo público que acompanha as notícias –, de como as coisas funcionam. Sabe-se hoje que raramente há iniciativa governamental que já não saia do forno tisnada pela tentação da marquetagem. Sabe-se que dificilmente haverá obra sem propina e negociata. Sabe-se que obras que começam nem sempre terminam e que mesmo as que terminam não necessariamente terminam bem. Acrescente-se que, no momento, um clima lúgubre toma conta do país. Olha-se para Brasília e vê-se o governo enredado na mesquinha questão da partilha de cargos. Olha-se para as ruas e depara-se com o caso do menino arrastado por um carro em movimento até a morte. Vai se apagando a expectativa de dias melhores. Reina a descrença quanto à possibilidade de os governantes resolverem alguma coisa, qualquer coisa.

Roberto Pompeu de Toledo
revista VEJA (28/02/07)

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